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Enquanto milhares de sertanejos enfrentam madrugadas frias, filas quilométricas e meses de espera por uma consulta, exame ou cirurgia eletiva em Petrolina, os valores de grandes contratações artísticas que tocarão no São João do Vale, contratados pela prefeitura de Petrolina, acendem um debate inevitável: qual é a real prioridade na divisão do bolo orçamentário? Para além do impacto cultural e do turismo, as cifras chamam a atenção quando convertidas em socorro imediato para a Saúde Básica do município. Quando somados, os cachês de R$ 1.000.000,00 para Ivete Sangalo e R$ 1.500.000,00 pagos ao cantor Gusttavo Lima totalizam R$ 2,5 milhões. O que esse montante significa, na prática, dentro de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no balcão de entrega de medicamentos da cidade? A matemática dos cofres da prefeitura de Petrolina contrasta drasticamente com a realidade de quem depende do atendimento básico. A falta de medicamentos de uso contínuo nas farmácias municipais muitas vezes obriga famílias de baixa renda a escolherem entre o alimento e o remédio. Da mesma forma, a escassez de materiais simples nas unidades — que vai de fitas de verificação de glicemia a kits de curativo — estrangula o atendimento na raiz. “A grande questão que a sociedade e os órgãos de controle, como o Ministério Público, colocam em pauta não é a realização das festividades em si, mas o equilíbrio fiscal. É aceitável pagar cifras milionárias por poucas horas de entretenimento enquanto cidadãos esperam meses por um diagnóstico oncológico ou uma cirurgia de catarata?“, questionam especialistas em gestão pública. Controvérsia Embora as administrações costumem defender que os recursos para eventos artísticos muitas vezes provêm de dotações específicas da pasta do Turismo ou da Cultura — ou que o retorno econômico para o comércio local justifica o investimento —, a população que vivencia a precariedade dos postos de saúde enxerga o montante sob outra ótica: a do privilégio do supérfluo sobre o vital. Matéria completa no blog Carlos Britto.
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- Anderson Ferreira
- Coronel Meira
- Eduardo da Fonte
- Fernando Dueire
- Humberto Costa
- Jair Bolsonaro
- João Campos
- Lula
- Marília Arraes
- Mendonça Filho
- Miguel CoelhoLLM: negativo
- Raquel Lyra
- Túlio Gadelha