Por Zé Américo Silva* Se Dom Quixote tivesse de aconselhar os candidatos de 2026, provavelmente diria exatamente o contrário do que grande parte deles pratica Há pouco mais de quatro séculos, Miguel de Cervantes escreveu uma das mais inteligentes reflexões sobre o exercício do poder. Antes de entregar a Sancho Pança o governo da fictícia Ilha Baratária, Dom Quixote lhe envia uma série de recomendações que, reunidas, formam um verdadeiro código de ética para quem pretende administrar a coisa pública. Não eram conselhos sobre marketing, pesquisas eleitorais, redes sociais ou alianças partidárias. Eram orientações sobre honestidade, humildade, justiça, respeito ao povo, equilíbrio nas decisões e resistência à sedução do poder. O curioso é que, em 2026, boa parte da classe política brasileira parece ter estudado justamente o manual inverso. Há candidatos que confundem o Estado com patrimônio pessoal. Outros tratam o orçamento público como moeda de troca para sustentar alianças políticas. Há os que fazem do cargo um palco para alimentar o próprio ego e os que acreditam que governar consiste apenas em vencer a próxima eleição. Dom Quixote ensinava exatamente o contrário. O governante deveria lembrar diariamente que o poder é passageiro, mas as consequências de suas decisões permanecem por muitos anos na vida da população. Um administrador público não existe para ser servido. Existe para servir. Essa talvez seja a maior crise da política brasileira: não faltam programas de governo. Faltam governantes com estatura moral para executá-los. É curioso observar campanhas inteiras discutindo quem enviou mais emendas, quem construiu mais hospitais, pavimenta mais ruas ou anuncia mais investimentos. Tudo isso é importante. Mas existe uma pergunta anterior, quase nunca feita: quem merece administrar o dinheiro e o destino de milhões de pessoas? Íntegra no meu blog
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