O fim da escala 6x1 deve ser colocado em votação na Câmara dos Deputados na próxima quarta-feira (27/5), sob o argumento de que mais descanso elevaria o rendimento no expediente. Críticos da proposta, porém, alertam para o risco de o efeito líquido ser o oposto: menor produtividade da economia e, com isso, menos capacidade de crescimento do País. Num Brasil que já terá de enfrentar o envelhecimento da população sem superar gargalos de investimento e de qualificação da força de trabalho, analistas avaliam que será difícil compensar integralmente uma redução de jornada com maior produção por hora. Isso exigiria ajustes justamente no mercado formal, onde os trabalhadores são em geral mais produtivos. O deslocamento do emprego para a informalidade, bem como sua substituição por vínculos sem carteira assinada, é um efeito colateral citado por economistas caso o fim da escala 6x1 seja aprovado. Na prática, a redução da jornada sem corte de salários elevaria o custo da hora trabalhada. Nesse cenário, empregadores tenderiam a buscar formas de contratação mais baratas - ainda que, em média, menos produtivas -, o que dificultaria ainda mais o desafio do Brasil de sair de um período de estagnação da produtividade que já supera uma década. Para economistas entrevistados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o fim da escala 6x1 ameaça anular avanços trazidos pela reforma trabalhista de 2017, que levou a uma maior formalização do emprego e contribuiu, na visão de alguns analistas, para melhorar o potencial de crescimento da economia. "A literatura mostra que os países onde houve algum impacto positivo na produtividade tinham informalidade pouco significativa", comenta o CEO da consultoria Quantivis Analytics, José Ronaldo Souza Júnior, que dirigiu por mais de cinco anos o departamento responsável por estudos macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil #Escala6x1 #Brasil #Economia *economia *brasil *card *vv *digital
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